A História Não Contada Das Cruzadas: Fé Ou Ganância?

A História Não Contada das Cruzadas: Fé ou Ganância?

As Cruzadas foram uma série de expedições militares que tiveram início no final do século XI e se estenderam por vários séculos, sendo motivadas principalmente pela intenção de recuperar terras sagradas e promover a fé cristã. No entanto, a história das Cruzadas é repleta de nuances que vão além da simples busca por religião. Neste artigo, vamos explorar os aspectos menos conhecidos desse fenômeno histórico, questionando se realmente foram motivadas pela fé ou se havia um fundo de ganância e ambição territorial.

O Contexto Histórico

As Cruzadas surgiram em um contexto de crescente tensão entre cristãos e muçulmanos, especialmente em relação à Terra Santa, que era considerada sagrada por ambas as religiões. No entanto, por trás dessa luta religiosa, havia interesses políticos e econômicos que não podem ser ignorados.

Fé ou Ganância?

As Cruzadas foram promovidas pela Igreja Católica, que incentivava os cristãos a se unirem em uma guerra santa. Porém, muitos nobres e cavaleiros viam nelas uma oportunidade de obter riquezas e terras. Vamos analisar alguns pontos que exemplificam essa dualidade:

  • Motivações Religiosas: A promessa de perdão dos pecados e a salvação eterna eram grandes atrativos para os cruzados, que acreditavam estar cumprindo a vontade de Deus.
  • Interesses Econômicos: Os cruzados frequentemente saíam em busca de riquezas, como ouro e terras, que poderiam ser conquistadas durante as batalhas.
  • Influência Política: Muitos líderes políticos viam nas Cruzadas uma chance de fortalecer seu poder e influência, tanto em seus reinos como na Europa.

Exemplos Práticos

Alguns eventos históricos ilustram essa tensão entre fé e ganância:

  • Primeira Cruzada (1096-1099): Embora tenha começado como uma busca por Jerusalém, muitos nobres conseguiram estabelecer feudos na região, ampliando suas posses.
  • Cruzada dos Albigenses (1209-1229): Inicialmente voltada para erradicar a heresia, essa cruzada resultou em uma grande concentração de riquezas e terras nas mãos da Igreja e dos nobres.
  • Cruzada dos Vândalos (1147-1149): Apesar de ser uma expedição religiosa, muitos cruzados estavam mais preocupados em saquear terras cristãs e muçulmanas do que em promover a fé.

Checklist Final: Reflexões sobre as Cruzadas

Para refletir sobre as Cruzadas e suas implicações, considere os seguintes pontos:

  • A fé pode justificar atos de violência?
  • Quais interesses políticos e econômicos estavam envolvidos nas Cruzadas?
  • Como a história das Cruzadas é percebida nas religiões contemporâneas?
  • Qual é o legado das Cruzadas na relação entre o Ocidente e o Oriente Médio hoje?

As Cruzadas revelam um capítulo complexo da história que envolve não apenas a espiritualidade, mas também a ambição humana. Compreender essa dualidade é essencial para uma análise crítica e reflexiva sobre o papel da religião ao longo da história.

História da Idade Média Ocidental

A Idade Média aconteceu entre os séculos V e XV na Europa. Esse processo se deu com o início da Queda do Império Romano e terminou com a tomada de Constantinopla pelos Turcos. Dentre esse período, a Idade Média foi dividida em duas principais fases, sendo elas a Alta Idade Média e a Baixa Idade Média.

Na Idade Média o mundo rural superava o urbano, toda a fabricação dos produtos servia para a subsistência e não para o comércio, existia uma ausência de poder do Estado centralizado e com isso, essa responsabilidade era transferida para os senhores feudais toda a administração local, a cobrança de impostos, a aplicação da justiça, a seguridade pública e o direito a guerra.

Alta Idade Média

Esse período foi marcado pela ruralização da européia em decorrência de invasões bárbaras e corresponde a formação e estruturação do feudalismo.

* Formação do feudalismo, tendo ainda a junção da cultura germânica e romana;

* Formação dos reinos independentes – Reinos Franco, Ostrogodo, Visigodo, Vândalo, Suevo, entre outros -, sendo eles governados pela nobreza composta pelos germânicos e seus descendentes;

* Ruralização da Europa, onde toda a economia foi baseada na agricultura, com formação de feudos, com pouco contato comercial externo e raro uso de moedas em processo de trocas e/ou compra e venda de mercadorias;

* Poder fragmentado e centralizado, onde toda a força e política se encontrava nas mãos dos senhores feudais;

* Sociedade hierarquizada em ordens, sendo dividida em clero, nobreza e servos;

Queda do império romano

* Crescimento do poder da Igreja católica e por decorrência disso, o fortalecimento do cristianismo;

* Enfraquecimento da cultura laica em conjunto com o teocentrismo;

* Húngaros, sarracenos, vikings e eslavos invadiram várias áreas da Europa entre os séculos IX e X.

Esse período não teve uma data de finalidade definida, com várias mudanças na Europa no século X. Esse processo foi responsável pela modificação estrutural, cultural e econômica da região européia onde iniciou-se o enfraquecimento do feudalismo.

Baixa Idade Média

Nesse processo, ocorreu a grande crise do feudalismo, ocorrendo então assim a transição da Idade Média para a Idade Moderna.

* Crise do modo de produção feudal;

* Crise das reproduções econômicas, culturais e sociais;

* Diminuição das invasões bárbaras no século XI;

* Aumento da estabilidade;

* Surto demográfico da Europa devido o crescimento populacional avançado;

* Marginalização dos nobres e servos devido ao crescimento populacional;

* Os feudos perderam em partes a razão de sua existência, pois foram criados para conter invasões e garantir segurança, mas não obteve sucesso após o ataque dos bárbaros;

* Guerra Santa, onde Santo Sepulcro estava sob domínio dos muçulmanos, denominados de infiéis;

* Cruzadas, através de um grande massacre sangrento. Teve bastante influência no crescimento do comércio burguês;

* Renascimento comercial urbano impulsionado;

* Fortalecimento de algumas regiões da Europa e dom poder geral;

* Nascimento da burguesia;

* Crise do feudalismo, dando origem ao capitalismo, com novas formas de trabalho, com o conhecimento do valor real da moeda.

Nesse período capitalista, ocorreu então uma grande migração dos povos rurais para os setores urbanos, ajudando ainda mais a decair o sistema feudal. Nesse processo, deu-se uma nova engrenagem social, econômica e política em toda a Europa, iniciando-se então a Idade Moderna.

Entendimento das Cruzadas

O nome “Cruzadas” se deu devido a época em que ocorreu essas batalhas, apenas 50 anos após a crucificação de Jesus Cristo. Evento criado por católicos para levar a fé divina cristã para todo o povoado existente nas terras do Oriente Médio, fazendo com que todos aderissem a religião, quem se negava, era contido e punido pelos povos, nesse ponto se dava o início dos movimentos, chamados ainda por Guerra Santa.

1095 á 1099

A primeira região a ser visitada pelos cristianistas foi Jerusalém, entre os anos de 1095 até 1099, pois era a terra natal de Jesus Cristo. Muitos se negaram a aceitar a religião e a partir daí, se deu as batalhas entre os povos.

Soldado de Deus.
Soldado de Deus.

Mesmo com muitas pessoas se rendendo a aceitar o cristianismo, grande parte dos povos seguiram os católicos e viraram soldados de Deus. Muitos se agregavam a esse grupo religioso pois lhe eram prometidos um lugar no Paraíso (céu) depois que viessem a morrer e que Deus, perdoaria todos os seus pecados. Esse era o principal fator utilizado pelos cristão para conseguir mais fiéis junto a eles.

As Cruzadas não tiveram apenas caráter religioso, mas também capitalista, pois a maioria dos soldados eram obrigados a saquear todos os povoados em que passavam, pegando todas as riquezas das famílias. A Igreja Católica teve apoio essencial dos senhores feudais, dos nobres e dos comerciantes nessas guerras, pois todos queriam um ou ambos objetivos, o aumento de sua fortuna e a unificação religiosa dos povos.

Os principais motivos dessas manifestações, eram as conquistas de territórios – momentos de guerra traçados entre católicos e muçulmanos -, aumento do capitalismo e soberania de apenas uma religião. 

1095 á 1270

Ao total, foram travadas oito Cruzadas, entre os anos de 1095 á 1270. Veja abaixo quando ocorreram e como foram chamadas.

Oito Cruzadas

* 1095 á 1099: Primeira Cruzada ou Cruzada dos Mendigos;

* 1147 á 1149: Segunda Cruzada;

* 1189 á 1192: Terceira Cruzada ou Cruzada dos Reis;

1202 á 1204: Quarta Cruzada;

* 1217 á 1221: Quinta Cruzada ou Cruzada das Crianças;

* 1228 á 1229: Sexta Cruzada;

* 1248 á 1250: Sétima Cruzada;

* Até 1270: Oitava Cruzada.

Foram 824 anos de muitas lutas e disputas, mas os principais objetivos conhecidos não conquistaram nenhum valor e nem conseguiram se firmar, mas em contrapartida, a riqueza do comércio do Oriente alavancou com força constante, melhorando a qualidade de vida de todos os habitantes da região pelo enriquecimento dados pelas guerras.

Resumo sobre as Cruzadas Medievais

Cruzadas
Pessoas lutando na Terra Santa pela conquista da soberania religiosa.

O nome Cruzadas foi dado aos movimentos cristãos que aconteciam no Oriente, que eram pessoas que buscavam o enriquecimento, conquistas de territórios e aumentar a demanda de sua religião sobre outras terras, fazendo-a soberana perante a todos.

O sistema desse período era feudal, toda vez que o representante da família falecia, apenas um de seus filhos tomava posse de todos os pertences da família, com isso, muitos dos filhos sem nenhuma riqueza viravam vândalos, praticavam crimes e se manifestavam da forma que queriam sobre a sociedade.

O principal foco dessas lutas foram a disputas pela Terra Santa entre cristãos e muçulmanos para que uma das regiões se sobressaísse e fosse respeitada e aderida por todos.

Ao todo existiram oito Cruzadas, que teve início no ano de 1095 e terminou apenas em 1270.

Oito Cruzadas:

* 1º Cruzada ou Cruzada dos Mendigos – 1095 á 1099: movimento liderado por Papas e cavaleiros nobres, invadiram Jerusalém e a mantiveram sobre se poder;

* 2º Cruzada – 1147 á 1149: por motivos de discordância, Conrado III e Luiz VII levaram todos os planos ao fracasso, perdendo ainda o comando de Jerusalém para o sultão muçulmano Saladino, que retomava a crença da população da Terra Santa;

* 3º Cruzada ou Cruzada dos Reis – 1189 á 1192: momento em que os reis do Sacro Império se envolveram com a designação das terras. Encorajados pelo Papa, os reis Ricardo Coração de Leão, Frederico Barbarruiva e Filipe Augusto foram até o Saladino, fazendo um acordo, um período de paz entre os povos e autorizou a peregrinação dos cristãos no território de Jerusalém, que nesse tempo pertenciam aos muçulmanos;

Cruzadas
Navios desembarcando com seus tripulantes para conquistar o poder religioso.

* 4º Cruzada – 1202 á 1204: uma luta de dois anos bancada pelo povo veneziano com a intuição de reabrir o comércio no porto de Zara, obtendo lucros financeiros, foi a primeira luta a ser totalmente marítima;

* 5º Cruzada ou Cruzada das Crianças – 1217 á 1221: uma luta de jovens puros e cristãos que queriam vencer os muçulmanos, mas o plano não deu certo, foram vencidos e vendidos no mercado escravo. Depois disso o Papa e um grupo liderado por João de Brienne foram de encontro as terras do Egito para mais uma luta, mas ficaram isolados nas enchentes do rio Nilo;

* 6º Cruzada – 1228 á 1229: um ano em que negociações foram feitas por Frederico II entre os sultões de Damasco e do Egito, fazendo com que os turcos entregassem o poder muçulmano de Jerusalém, Nazaré e Belém;

* 7º Cruzada – 1248 á 1250: os turcos voltaram a reconquistar Jerusalém e por isso uma nova luta foi proposta pelo rei  Luiz IX para retomar novamente as terras de Jerusalém, que resultou em fracasso por inundações de suas embarcações e por seu aprisionamento;

* 8º Cruzada – 1270: mesmo com incessantes lutas pela dominação religiosa, os cristãos não obtiveram sucesso sobre as Terras Santas, fazendo muitas vezes com que eles se rendessem aos muçulmanos por terem sido um fracasso na disputa sobre as terras.

Muçulmanos x Cristãos
Muçulmanos x Cristãos, uma luta constante.

Mesmo com 824 anos de lutas e disputas, as cruzadas não conseguiram vigorar seus principais objetivos, mas em contra partida fez com que a riqueza de seu comercio enriquecesse todo o Oriente.